Francisco Klinger Carvalho "Metáforas de Uma Terra Perdida"

, 04/04/2017

Detalhes

A Galeria Andrea Rehder apresenta a exposição “Metáfora de Uma Terra Perdida”, de Francisco Klinger Carvalho, apresentado trabalhos em diferentes suportes. A abertura será no dia 04/04, a partir das 17h, durante a programação da Gallery Night em São Paulo, da SP-Arte.

E exposição fica aberta até 05/05.

METÁFORA DE UMA TERRA PERDIDA é a primeira exposição individual, na Galeria Andrea Rehder, do artista visual Francisco Klinger Carvalho, escultor brasileiro que vive e trabalha em Mannheim - Alemanha. Na exposição o artista aborda várias facetas conceituais, as quais o mesmo chama de “metáforas escultóricas”, as quais fazem referências diretas à situação pela qual o Brasil passa atualmente; para tal, o artista se apropria de vários meios plásticos e recursos que envolvem modalidades como escultura, intervenção, instalação, desenho e fotografia, na intenção de construir uma opereta ou por assim dizer, de uma narrativa visual organizada em pequenos atos, os quais tratam do caos político institucional brasileiro.
A deposição de um Presidente da República eleito, sem crime comprovado, tem como resultado imediato a fragilidade das bases de qualquer democracia. No Brasil, o que se gerou, nesta crise institucional generalizada, vai para além de uma profunda desconfiança no aparato estatal que sustém hoje o sistema político. Francisco Klinger Carvalho, ao que se vê por meio de sua obra artística, está mergulhado nas profundezas dessas águas turbulentas que compõem o mar de crise, que assola o Brasil contemporâneo. De certo, vem daí a série de mapas invertidos com as intervenções de objetos postados sobre estes. Série esta que o artista intitula “Da Ordem ao Caos“ (2016), ato manifesto no qual Francisco declara a grande dificuldade de interpretar o futuro do país. Egberto Gismonti disse uma vez que, muitos dos que moram fora do país, sentem-se mais brasileiros do que os que vivem dentro. De certo, isso se dá com Francisco Klinger Carvalho.
O artista desenvolve, nesta exposição, vários pontos como em um ato de composição musical, que são demarcados desde a entrada na galeria. Ao adentrar se depara com a obra “Infeliz Coincidência“ termo usado pelo atual presidente Michel Temer, quando pronunciou-se oficialmente sobre o massacre ocorridos na penitenciária de Manaus;  um segundo ato é a obra “Contraste – a arrogância de Narciso“, na qual o artista tenta descrever, sutilmente, que o ator-político desejoso do poder se perde em sua própria imagem. A estas seguem em atos contínuos uma grade postada sobre um móvel, na qual se tem a sugestão de que lhe atravessa um espelho como em um corte; Um chassis negro, queimado,  que se compõe com um pano negro, descrevendo gesto ao mesmo tempo interpretativo da bandeira sendo queimada e simultaneamente carregado dos simbolismos de luto pelo país que destrói a si mesmo ao decompor a credibilidade de suas instituições ou a tragédia cotidiana das queimadas nas florestas brasileiras, que ameaçam o futuro de gerações.
Artista multidisciplinar, com uma obra que cria tensão entre a ética e a estética, cujo caráter interpretativo, de profunda subjetividade e humanidade, compõem releituras culturais baseadas, principalmente, nas influências de temáticas latinas, tais como, formas visuais existentes no cotidiano de vários países latino-americanos por onde ele morou, de onde plasmou estética voltada para a releitura arquitetônica, principalmente das periferias, com a qual desenha a paisagem urbana e interiorana brasileira. O artista se estende para reinterpretar as formas litúrgicas em torno destas, em ato simbólico de reinterpretação subjetiva de si e dos outros. Klinger Carvalho, questiona em seus trabalhos a dimensão moral da apropriação, fato que também se relaciona com o poder, daí parte para caracterizar o Brasil atual. No atual contexto, Francisco Klinger Carvalho, desloca o foco de questões isoladas para questões primordiais: as mazelas enfrentadas no país são abordadas em suas dimensões filosóficas, religiosas, artísticas e políticas.

Francisco Klinger Carvalho "Metáforas de Uma Terra Perdida"